Essa foto foi no 12° Congresso de Nutrição Comportamental. Lá, palestrei sobre o diálogo fundamental entre profissionais da nutrição e da psicologia. É sempre curioso quando vou a eventos desse porte; a quantidade de nutricionistas que me param pra conversar (e, desta vez, até uma terapeuta ocupacional) pra dizer que minha fala foi mega relevante. Eu, do meu lado, me pergunto: não era óbvio? 

Pois é, parece que não. Não está óbvio nem para o mercado de saúde e muito menos para as empresas que deveriam cuidar genuinamente dos seus colaboradores (olha a NR-1 batendo na porta do mundo corporativo!). 

Aqui vai a fala que realmente chamou a atenção: expus a urgência de trabalharmos em conjunto, compartilhando saberes em prol do paciente, sem que o fantasma da reserva de mercado fique pairando nos ares. 

Não era óbvio? 

Que meu paciente vai se beneficiar de eu indicar um nutricionista se o caso assim o precisar? Que a saúde integral importa, e isso inclui a mental e a física? Que se eu e os demais profissionais do caso trabalharmos com um objetivo em comum, o paciente alcança um estado de saúde e bem estar real e sustentável? 

Pra mim era. Mas a verdade é que muitas vezes o profissional da saúde é instigado a “fazer o seu” e ponto final. 

A proposta da LUME – projeto ao qual me dedico há alguns anos- é ir além de um aplicativo de saúde. É ser o espaço de integração do autocuidado. E isso é feito a partir da presença de um profissional qualificado para essa articulação, o Designer de Saúde. 

Nos EUA e na Europa, essa abordagem integrada de acompanhamento costuma ser associada ao formato de coaching de saúde e bem estar. Sei que tocar nesse termo costuma levantar debates acalorados sobre escopo profissional, mas quem acompanha meu trabalho sabe que meu foco está no desfecho clínico e no cuidado real, não em disputas de nicho.

Por isso, faço questão de reforçar aqui minha fala do Congresso:

Tratamos pessoas, não diagnósticos, mentes isoladas ou padrões comportamentais. A saúde de um ser humano é complexa e exige cuidado integral. Quer ficar na sua poltroninha achando que só o seu trabalho importa? Tudo bem. Só sinto pelos seus pacientes. Profissional nenhum é capaz de instaurar o bem-estar sozinho, como num passe de mágica. A saúde de verdade implica diversas práticas, interconsultas e a soma de conhecimentos.

Finalizo por aqui agradecendo ao convite da queridíssima Marle Alvarenga. É sempre um prazer trabalhar com profissionais de saúde com uma visão tão ampliada e cuidadosa. Que venham mais parcerias!